Sobre morar fora e quase perder minha essência… e o que você não sabe sobre ser expatriada.

Morar fora é massa! Eu acredito que todo mundo deveria fazer isso pelo menos uma vez na vida. É crescimento contínuo, tanto como pessoa, como culturalmente falando. Viajar já nos proporciona momentos incríveis, né? Agora você imagina morar fora, nem que seja por uns dois meses? Foda.! Só isso que digo!

Mas morar fora tem suas dores e delícias… pra mim, a pior época é o final do ano. Não sei se porque passei 26 anos da minha vida rompendo ano no calor de Recife, e aqui é frio pra caralho caramba, ou se é porque era meu momento de entrar em festa e receber o novo ano. Acho que os dois! E talvez um dia eu me acostume, mas por agora entro em depressão só de pensar como que vai ser minha virada de ano – sério!

Outra coisa que reparei, mesmo estando aqui por apenas 3 anos, é que eu mudei. Mudei pra melhor em várias coisas, mas comecei a cavar um buraquinho que eu não tô muito orgulhosa e satisfeita, não. Sabe quando você começa a reparar que tá se perdendo como pessoa? Eu já falei disso aqui antes, num post resgatado do Belle na América, inclusive. Só que ali eu falo de estar perdida profissionalmente, sabe? E isso aí pra mim é algo que já tá resolvido (pelo menos por enquanto). O negócio é como a vida vai te moldando, e você vai deixando… Faz sentido?

Eu reparei que eu mudei como pessoa, como ser humano. Eu sei que a idade faz isso mesmo, tá? Mas o fato de você tá longe do seu ninho, da sua terra mãe, das pessoas que você queria ter por perto, e também da sua cultura, na minha opinião, é um fator agravante. E eu comecei a progredir em algumas coisas, mas regredir em outras.

Eu comecei a perceber que venho perdendo a minha essência. Aquela menina que eu costumava ser, aquele brilho que eu tinha no olhar, aquela facilidade de encontrar felicidade em coisas tão simples, começaram a sumir. Eu comecei a me desconectar da minha alma brasileira, aquilo que tanto tenho orgulho de ter. E eu não sei se isso acontece com todo mundo, em qualquer lugar do mundo que você vá, mas posso falar por mim.

Eu vi exemplos de mulheres mais velhas que moram aqui, e eu comecei a perceber que eu não quero seguir o caminho delas. Eu não quero ser uma outra pessoa, eu não quero “fit in“, eu quero ser eu mesma. E eu sou grata por ter reparado isso em tempo de voltar as casinhas desse jogo da vida e fazer certos ajustes, sabe? E um dos ajustes foi criar o Sua Vida Desenhada – esse projeto é mais que um ganha pão pra mim. É um resgate mútuo! Eu não tô ajudando pessoas com o meu trabalho, eu tô me ajudando a não me perder enquanto as ajudo a se encontrarem. E eu tô muito feliz de ter dado esse passo, porque eu relutei bastante.

Eu não sei se você, estando fora do Brasil ou não, já sentiu o mesmo. O que eu posso deixar de conselho aqui é que – volte as casinhas! Em outras palavras, resgate à você mesma, não deixe essa pessoa que você não quer ser te domar e se instalar no teu ser. Nós temos o poder e dever de assumir esse controle, de não deixar as circunstâncias nos dominarem e definirem quem somos, mas sim viver a nosso modo.

Eu sei que é difícil, e é por isso que auto-conhecimento é tão importante. É por isso que é necessário se auto-avaliar sempre que possível. E quando precisar de ajuda, grita. Faz sinal de fumaça. Procura essa ajuda – seja ela qual for, como for.

Agora vou parar que já virou textão, mas eu queria colocar isso pra fora e deixar registrado aqui. A gente nunca tá sozinha, e nunca sabemos quem está precisando ouvir o que a gente precisa dizer. Vou deixar vocês com um vídeo que cai bem com o assunto. Eu bati um papo com a Martha Sachser do NY & About. Ela mora aqui nos Estados Unidos há 10 anos, e em NYC há 7 anos.

Se não estiver conseguindo visualizar, clique aqui.

Se gostou do texto, ou do vídeo, ou dos dois, não deixe de compartilhar e deixar seu feedback! ?
Ah! E entrar para comunidade aqui, caso ainda não esteja participando!
Se você quiser saber mais sobre o Lifestyle Design (ou design de estilo de vida), clica aqui.

Bjo,
Belle

YouTube | Facebook | Instagram | Contato

 

3 respostas a “Sobre Morar Fora e (quase) Perder a Essência | Vida de Expatriada”

  • Essa coisa de perder a essência é muito estranho. Porque eu mesmo sem ter mudado de cidade eu senti isso na pele. Eu não mudei de casa nem nada mas mesmo assim me sinto longe da minha essência. Você tem alguma dica para voltar a ser você mesma e nunca mais deixar de ser? E isso gera tipo de um vazio também né :/ bjs

  • Adorei ! Uma das coisas q eu mudei muito foi que eu fiquei muito individualista , pq os americanos são assim, foram 5 anos da minha vida vividos com americanos e somente eles , percebi que fui deixando os amigos de lado no brasil , pq endureci mesmo morando em NY, pensava que eu tinha meus problemas e lidava com eles sozinha , então todo mundo meio que teria que ser assim ( eu sei , horrível pensar assim), mudar pra California me fez me resgatar de novo, o estilo de vida daqui, as pessoas parecem serem mais felizes , mais outdoors , sem contar que vitamina D deixa a pessoa mais feliz ☀️, voltei a ter amigos brasileiros , saí de um casamento que era o mesmo que uma prisão , me reencontrei e posso dizer que estando prox de brasileiros (treino, sair pra jogar volley ) me fez resgatar aquele brilho que eu tinha perdido , claro, a gene amadurece , mudaríamos mesmo se estivéssemos no Brasil e o ciclo de amizade diminuiria tbm estando lá com certeza , a vida muda pra todo mundo, as prioridades tbm, quem fica é só quem se importa , isso em qualquer lugar do mundo. Adorei a matéria e o vídeo ❤️

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *